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Paulo Corrêa de Oliveira, 90 anos: uma trajetória entre arquitetura, educação e cultura

Professor Emérito da UFMS, arquiteto, teatrólogo e escritor aquidauanense tem sua história ligada à formação de gerações e à vida cultural de Mato Grosso do Sul.

Paulo Corrêa de Oliveira completa 90 anos neste 21 de outubro. Nascido em Aquidauana, em 1936, construiu uma trajetória que reúne arquitetura, educação, teatro e literatura. Seu trabalho participa da história da cidade e alcança a cultura sul-mato-grossense por meio de projetos, experiências educativas, espetáculos e textos.

O Instituto Morro Azul celebra esta data reconhecendo sua contribuição para a formação de gerações e para a valorização da memória regional. Sua trajetória mostra como o conhecimento e a criação artística podem aproximar pessoas, instituições e histórias.

Registro da visita realizada em 19 de outubro de 2026 ao Professor Paulo Corrêa, por ocasião de seus 90 anos, ao lado de Elbio Gazozo.

Arquitetura e construção da cidade

Paulo cursou Arquitetura na Faculdade Nacional de Arquitetura, no Rio de Janeiro, entre 1956 e 1960. Sua atuação profissional compreendeu residências, espaços religiosos e equipamentos de uso coletivo.

Seu currículo relaciona projetos como o Mercado Municipal de Aquidauana, o Asilo São Francisco, a Creche Bezerra de Menezes e o Aeroporto do Morrinho, além de igrejas em Aquidauana e em municípios como Bonito e Dois Irmãos do Buriti.

A pesquisa de soluções construtivas também integrou seu trabalho. Em 1978, seu currículo registra a apresentação da proposta Casa de Taquaruçu em um simpósio do Banco Nacional da Habitação, em Salvador, e o primeiro lugar em concurso nacional de ideias do BNH, na temática Procedimento Construtivo.

Educação e formação de gerações

Na docência, Paulo compartilhou conhecimentos técnicos e experiências artísticas. Seu currículo registra atuação universitária em Aquidauana entre 1974 e 2006. No Centro de Educação Rural de Aquidauana, o CERA, lecionou Construções e Instalações Rurais de 1975 a 1997. Também atuou no curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.

No CERA, o teatro ampliou as possibilidades de formação dos estudantes. Leitura, interpretação, ensaios e apresentações constituíram experiências de criação coletiva e convivência.

Os programas dos espetáculos preservam fotografias, nomes e depoimentos que ajudam a compreender esse trabalho. Neles, a história do professor se encontra com as trajetórias de estudantes e colegas que participaram das montagens.

Reconhecimento da UFMS em 2026

No ano de seus 90 anos, Paulo recebeu da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul o título de Professor de Magistério Superior Emérito, no contexto das comemorações dos 47 anos de federalização da instituição.

A homenagem reconhece sua contribuição à Universidade e à sociedade, em uma trajetória que aproximou ensino, arte e cultura. Acompanhado de sua esposa, Lúcia Maria Pace de Oliveira, Paulo participou desse momento de reconhecimento público de sua atuação como educador.

Aquidauana e Mato Grosso do Sul no palco

Como teatrólogo, Paulo encontrou na história, nas memórias e nas relações sociais da região referências para suas criações. No Grupo Teatral do CERA, desenvolveu montagens que articularam pesquisa, imaginação, humor e crítica.

Entre os espetáculos documentados estão Era uma vez… Xerez (1983), Divina MS Comédia (1985), Fronteiridade (1988), Gran Circo Centenário (1992), Morte Kaiowá (1993), Canivete 34–36 (1994), Mate e Vida Tereré (1995), Cine Glória (1996) e Alegria (1997).

Em Divina MS Comédia, a leitura de Dante Alighieri inspirou uma criação voltada ao universo sul-mato-grossense. Gran Circo Centenário homenageou os cem anos de Aquidauana por meio da linguagem circense. Já Cine Glória retomou a memória do cinema e de sua importância para a vida cultural da cidade.

Essa produção levou ao palco temas locais que dialogam com experiências mais amplas: pertencimento, transformação das cidades, convivência e preservação da memória.

Literatura e memória cultural

Integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, na cadeira nº 15, Paulo também contribui para a cultura por meio da escrita. Suas crônicas e textos de memória registram personagens, lugares e episódios que aproximam a experiência pessoal da história de Aquidauana.

A relação com seu primo, o ator Rubens Corrêa, constitui outro capítulo dessa trajetória. Em Alegria, de 1997, Paulo reuniu referências à vida e ao trabalho de Rubens em uma homenagem teatral. Também realizou leitura dramatizada de suas lembranças aquidauanenses, contribuindo para a circulação dessa memória artística.

Uma vida que merece ser celebrada

Aos 90 anos, Paulo Corrêa de Oliveira reúne uma trajetória de trabalho em diferentes campos, conectados pela dedicação ao conhecimento e à criação.

O Instituto Morro Azul manifesta seu carinho e reconhecimento ao professor Paulo, estendendo esta homenagem à sua esposa, Lúcia, aos familiares, amigos, antigos alunos e colegas.

Celebrar sua vida é valorizar as pessoas que participam da construção cultural de Aquidauana e de Mato Grosso do Sul, deixando contribuições que podem ser conhecidas e compartilhadas pelas novas gerações.

Feliz aniversário, professor Paulo!

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