Em 1º de fevereiro de 2026, celebra-se o centenário de nascimento de Cláudio Robba, educador, historiador, escritor e uma das mais importantes referências culturais de Aquidauana e de Mato Grosso do Sul. Nascido em 1º de fevereiro de 1926, em São Paulo, Robba completaria 100 anos em 2026, marco que reforça a dimensão de seu legado intelectual, cultural e humano.

Foto da década de 30. Cláudio Robba em sua infância, posando com um sorriso enquanto veste um traje clássico de marinheiro. Com detalhes elegantes, como a gola em V, o laço decorativo e um chapéu que completa o visual, a imagem, em tonalidades sépia, exala o charme nostálgico e atemporal de uma época onde a fotografia ainda era uma novidade no Brasil. Fonte: álbum da família.
Filho de Emanoele Robba e Ernestina Ragazzi Robba, neto de imigrantes italianos — Antonio Robba e Rosa Corfezi, pelo lado paterno, e Frederico Ragazzi e Candida Formigoni, pelo materno —, Cláudio Robba nasceu às 23h30, na rua Brigadeiro Tobias, nº 12, no bairro de Santa Efigênia. Iniciou seus estudos no Instituto Zepegno e no Instituto Maria Pia, cursando posteriormente o ginásio e o propedêutico no tradicional Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Concluiu ainda a Escola Técnica de Comércio São Paulo, antes de iniciar sua trajetória profissional.
Em janeiro de 1945, aos 18 anos, a convite de um amigo, conheceu Aquidauana, então no Estado de Mato Grosso — cidade com a qual estabeleceria vínculos profundos e definitivos. Ao longo de décadas dedicadas ao magistério, atuou como professor municipal entre 1950 e 1961 e como professor estadual de 1961 a 1998, quando se aposentou na segunda cadeira, formando gerações de estudantes e deixando marca indelével na educação pública local.
Comprometido com a organização e valorização da classe docente, Cláudio Robba esteve presente na fundação da Associação de Professores de Aquidauana (APA), em 1963, entidade que viria a se consolidar, décadas depois, como o SIMTED – Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Aquidauana. Sua participação nesse processo reafirma seu engajamento histórico com a educação pública e com a defesa coletiva dos profissionais da área.
Robba também teve papel relevante na vida esportiva e social do município, sendo um dos idealizadores dos Jogos da Primavera em Aquidauana, iniciativa que marcou época ao integrar educação, esporte e convivência comunitária, tornando-se referência regional.
Reconhecido como pesquisador e escritor, é autor de obras fundamentais para a compreensão da história regional, como Aquidauana Ontem e Hoje e Anastácio Ontem e Hoje, livros que se consolidaram como fontes indispensáveis para pesquisadores, educadores e leitores interessados na formação histórica, social e cultural do Pantanal sul-mato-grossense.
Sua contribuição extrapolou o campo educacional. Exerceu relevantes funções públicas na Prefeitura de Aquidauana, entre elas os cargos de secretário de Educação e Saúde (1977–1982), secretário de Cultura e Turismo, secretário de Viação e Obras Públicas e secretário de Administração. Foi ainda escrivão do Fórum, junto ao Cartório do 3º Ofício de Aquidauana (1964–1975), tradutor de documentos de línguas neolatinas para o Poder Judiciário (1964–1967) e presidente da Comissão Municipal do MOBRAL, a partir de julho de 1982. Em 1967, concluiu o Curso de Administração Municipal e Planejamento Regional, promovido pelo MEC na Universidade do Rio Grande do Sul.
Homem de múltiplos talentos, destacou-se também como artesão e escultor em madeira. Entre suas obras mais significativas está a peça que retrata a fundação de Aquidauana, atualmente exposta no Museu de Arte Pantaneira Manoel Antônio Paes de Barros. Rica em detalhes, a escultura ilustra, conforme a ata de fundação do município, a reunião das primeiras famílias no local onde hoje se encontra a Praça da Matriz, trazendo o texto da ata inscrito em suas bordas e constituindo-se como valioso registro artístico e histórico.
Além disso, Robba atuou como radialista e taxidermista, publicou artigos históricos no jornal O Pantaneiro, produziu apostilas de Educação Física para uso nas escolas estaduais e integrou iniciativas relevantes nas áreas da saúde, da educação e do ensino superior, como membro da comissão para a fundação do Centro Universitário de Aquidauana (UFMS).
Na vida maçônica, destacou-se como um dos mais antigos e atuantes maçons de Mato Grosso do Sul, com extensa trajetória iniciada em 1954 na Loja Marechal Deodoro da Fonseca nº 2, onde exerceu três mandatos como Venerável Mestre, participou da fundação de lojas, da criação da Grande Loja Maçônica de Mato Grosso, integrou o Tribunal Judiciário da Grande Loja e foi membro da Academia Maçônica de Letras de MS, tendo publicado a obra História da Fundação da Grande Loja Maçônica de Mato Grosso.
Falecido em 17 de agosto de 2018, Cláudio Robba deixa um legado que permanece vivo na memória coletiva. O centenário de seu nascimento, celebrado em 2026, representa não apenas uma homenagem à sua trajetória, mas um convite permanente à valorização da educação, da cultura, da organização social e da identidade histórica de Aquidauana.

